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Escrito por: Sílvia Medeiros
Começou cedo, vieram de longe e aos poucos foram dando um tom vermelho para a Praça Miramar, local histórico do Centro de Florianópolis, de onde partiu a 5º Marcha dos Catarinenses. Trabalhadores e trabalhadoras, do campo e da cidade se reuniram na capital para cobrar do governo do Estado melhores investimentos em políticas públicas, condições de trabalho decente e justiça social a todos os catarinenses.
A marcha que está na sua quinta edição, apesar das grandes mobilizações já realizadas em anos anteriores, neste ano depois das jornadas de manifestações em junho de 2013, o sentimento dos trabalhadores que sempre estiveram na luta, era diferente, era um sentimento de pertencimento àquele espaço. “Foi sempre com muita batalha que conquistamos os direitos dos trabalhadores, nada para o trabalhador vem de graça então quando vamos às ruas são com pautas e com foco de enfrentamento àqueles que querem reduzir os nossos direitos”, salientou Neudi Giachini, presidente da CUT-SC.
Mais de 2.500 trabalhadores do Oeste, Norte, Meio Oeste e Sul de Santa Catarina se reuniram na Marcha dos Catarinenses que percorreu cerca de quatro quilômetros pelas principais ruas da capital. Durante a caminhada foram feitos atos que cobraram do governo estadual melhores políticas públicas como saúde, educação e segurança. Um boneco do governador Raimundo Colombo foi queimado em frente ao Terminal Urbano e também, em frente ao Tribunal da Justiça, o Movimento dos Sem Terra fez um ato representando à morte da justiça brasileira, que criminaliza os Movimentos Sociais e Sindicais do Brasil.
Trabalhadores querem melhores políticas públicas – De acordo com o Índice do Banco Central, publicado em janeiro deste ano, a economia catarinense em 2013, cresceu mais que a economia do Brasil, tendo um aumento de 4,1%. Porém estes números positivos não estão refletindo na melhora de vida de grande parte da população de Santa Catarina, visto que o estado amarga a vergonha de ter meio milhão de catarinenses abaixo da linha da pobreza.
Além disso, a falta de investimentos do governo estadual em políticas públicas e o avanço na política neoliberal tem prejudicado a população catarinense, em especial à classe trabalhadora que depende diretamente do serviço público em áreas primordiais, como a educação, saúde e segurança.
Por isso o tema da Marcha dos Catarinenses deste ano trouxe novamente a necessidade urgente de uma nova política no Estado, uma política que dialogue com trabalho decente e valorização do servidor estadual.
Contra a ditadura do governo Raimundo Colombo – Os servidores que trabalham em diversas unidades do estado (penitenciárias, entidades educacionais e outros órgãos), ficaram em greve por quase um mês, mas decidiram retomar suas atividades no início dessa semana. A decisão se deu, depois que o governador entrou na justiça e efetuou diversos bloqueios ao Sindicato e também ameaçou a exoneração dos dirigentes sindicais. Em assembleia, os servidores aceitaram voltar trabalhar, na próxima semana os servidores se reúnem novamente, para definir os próximos encaminhamentos da mobilização.
Porém, o ataque deste governo aos trabalhadores que estão organizados foi lembrado na Marcha dos Catarinenses, que em solidariedade aprovou a construção de uma Moção de Repúdio, assinada por diversas entidades sociais e sindicais e que será encaminhada ao governador Raimundo Colombo.
Aldoir Kraemer, Secretário de Políticas Sociais da CUT-SC e coordenador da CMS - Coordenação dos Movimentos Sociais, lembrou da necessidade de união da classe trabalhadora. “O que o governo estadual tem feito com o movimento sindical é um grande desrespeito. Vamos mostrar a este governo, que não se mexe com a classe trabalhadora e que estamos unidos em defesa do direito de todos e todas”, frisou Aldoir.
Ocupação da Casa do Povo - Depois da caminhada os participantes da Marcha ocuparam à Assembleia Legislativa – Alesc. Em poucos minutos, a “Casa do povo” estava realmente ocupada por seus representados. Os trabalhadores foram se acomodando no grande hall de entrada e se sentindo “em casa”, eles foram sentando no chão para descansar do longo trajeto percorrido.
Quando a Sessão do dia começou, representantes da CUT e da CTB, depois de serem cuidadosamente revistados por vários seguranças, ocuparam as galerias do Plenário para acompanhar a votação do dia e tentar protocolar, diretamente com o presidente da Alesc, Joares Ponticelli, a pauta de reivindicação da Marcha.
Porém, para revolta dos trabalhadores, nem o presidente da Assembleia e nem a maioria dos deputados que representam o governo, estavam presentes na Sessão, o que gerou uma grande manifestação dos trabalhadores que fizeram um “apitaço” dentro do Plenário. Devido ao forte barulho, o Deputado Padre Pedro Baldisserra (PT), que assumiu a presidência da sessão, teve que transferir a ordem do dia para duas horas mais tarde.
Mesmo sem a presença dos líderes dos partidos do governo, os trabalhadores foram ouvidos por deputados de partidos de esquerda. O Deputado Padre Pedro, uma liderança que sempre esteve envolvida nos movimentos sociais, respeitou a classe trabalhadora e abriu um espaço para os representantes da Marcha apresentarem as reivindicações e também protocolarem o documento ao presidente da Assembleia.
Aldoir Kraemer agradeceu o deputado por essa sensibilidade em saber ouvir e dar voz aos trabalhadores. “Que neste ano de eleições, os catarinenses saibam escolher os representantes que estão do nosso lado e que junto conosco, querem construir uma sociedade mais justa e igualitária”, salientou Aldoir que aproveitou para agradecer todos os trabalhadores que saíram do seu local de trabalho e participaram da quinta edição da Marcha dos Catarinenses. “Mais uma vez comprovamos a capacidade de organização dos movimentos sociais e da classe trabalhadora. Foi na rua que surgiram nossos movimentos e nas ruas vamos permanecer, até que todos e todas tenham os mesmos direitos”, enfatizou Aldoir.
Fonte do texto e imagem: www.cut-sc.org.br
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